domingo, 31 de agosto de 2008


FINALMENTE OUTROS ARES
Depois de várias apresentações de A Serpente em Suzano, agora o Teatro da Neura provará outros públicos.Não será um público mais culto ou menos culto, apenas outro público e isso me estimula. É importante que outras platéias provem essa montagem que, acredito muito, propõe um olhar sobre a dramaturgia que o grupo implementou sobre um texto clássico.Mas há um ponto importante nessa apresentação: ela será realizada na academia. Na Anhembi Morumbi, apesar dos professores virem de experiências bem distintas de teatro - onde os experimentos são plenamente aceitáveis - existe a coisa do respeito a linguagem quando chegam na faculdade. E nesse ponto A Serpente do Teatro da Neura, rompe completamente.Não está alí a cama, os móveis, a janela...Mas está sim a pesquisa da linguagem, personagens fortes, circulo contínuo.A proximidade da platéia com as cenas transforma a dramaturgia do Nelson mais rica e forte. Não há necessidade de excessos pois estamos tratando de situações excessivas. Mas, voltando à apresentação da Anhembi, estou na expectativa de uma grande noite. Esperamos honrar o 2º MIA que está sendo organizado por grandes amigos que encontrei na faculdade. Esperamos fazer também uma ótima apresentação para a platéia porque nós do Teatro da Neura com certeza nos deliciaremmos mais uma vez.
Até lá.
Fernandes Junior - diretor do Teatro da Neura

3 comentários:

Fernandes disse...

Acredito que a Serpente foi um dos trabalhos mais ousados que o Teatro da Neura se enfiou.

Os espetáculos anteriores ainda estavam na categoria do "somos um grupo de pessoas que se gostam e que queremos fazer teatro". Nossas peças tinham essa característica.

Até a primeira versão da peça - com direito a cama, cômoda, bíblia, mala e tudo mais - era cheia dessa sensação.

Nós não arriscávamos.

Parte do elenco idolatrava Nelson Rodrigues, outra odeiava e para outra parte, tanto fazia. Então, na troca de elenco - forçada pelas circunstâncias - eu propuz uma saída: mudança de elenco, mudança de concepção.

DE ONDE VEIO A IDÉIA?

No último ensaio geral de A Serpente - 1ª versão - a Cind Octaviano, arquiteta e cenógrafa de A Serpente fez uma colocação que me provocou: trabalhar com as arquibancadas do próprio Galpão das Artes ou seja, ir pra uma concepção mais contemporânea sobre a obra.

Fiquei com aquilo na cabeça porque não via, no elenco daquele momento, uma saída pra essa proposta.

Precisamos passar por algumas apresentações, troca de elenco e outras coisas para que eu também me arriscasse.

Bem, acho que não falarei sobre os detalhes da concepção.

Acho que uma parte da peça é feita pela cabeça do grupo e a outra, pelo público.

Ficamos assim, por enquanto.

Fernandes disse...

A SALA DE ENSAIO

Nessa semana reensaiamos A Serpente. Impressionante como o teatro nunca morre quando é detectado que ele já está morto.

Explico.

Estava na perspectiva de mudar poucas coisas e aprimorar outras cenas que achava importante, ou seja, um ensaio morto; com previsão de término e ajuste burocrático de cenas.

Mas o ensaio foi além. Com certeza, o público que já apreciou a montagem, poderá curtir outros detalhes que mudam e muito alguns pontos da peça.

Isso só mostra que, quando um elenco está decidido a fazer um encontro digno, várias idéias surgem pra colaborar nesse processo.

A Serpente está sempre atualizada e, na Anhembi, ela estará renovada.

FErnandes Junior - diretor do Teatro da Neura

The One disse...

Esse espetáculo, com certeza, é um ótimo cartão de visitas do grupo (ao lado de "Vidros"). Mas esse é especial por ser uma adaptação. É o olhar "neurótico" sobre uma obra do Nelson. O elenco, tanto quanto os adjacentes, merecem os parabéns pela competência. Pela ousadia e pela coragem de abordar assuntos, proferir palavras e mostrar realidades que não são lá essas coisas de confortáveis. E que venham mais neuroses!